Flores de alvenaria

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Dá-me tua mão, amor
a madrugada tem olhos que machucam
e as ruas estão cobertas de pequenas estrelas
anunciando que o passado sombrio
caminha contra a liberdade do futuro.
A neblina tem olhos que delatam
e noites sem pão nem fl ores
querem de novo sentar à nossa mesa
já tão farta de antigas dores.
Corpos negros sangram nas calçadas
e enquanto o asfalto trama o fi m da paz
o sangue dos famintos escorre surdo
no rap triste e nas fi las dos hospitais.
No calendário os dias marcham com velhas botinas

Sérgio Vaz, em “Flores de Alvenaria“.