,

vocês tinham que me ver agora
to sombria to bombástica to hermética
to totalmente desvairada sim e também mirabolante
to promíscua to ridícula to macia
to seca como o kalahari mancomunada com o maligno
o cabelo escuro os olhos doces e lassos as unhas como garras a calça de veludo sintético apertando as coxas as coxas apertando a cara eu sei eu sei preto é a cor da independência mas você tem que usar calcinha branca ralha minha mãe é preciso usar branco é mais auspicioso e eu digo sim eu sei tenho que ser docinha desejar lindezuras ao velho de saco murcho do quinto andar sim mas quero o preto porque o preto me orna melhor mamãe tome jeito menina se comporte continua tão vermelha não sossegas nunca regateira eu sei eu sei eu amo o longe e levanto a minha loucura como uma facho ardente
mas to poderosa que inferno e deleitavelmente humana
to crua to magnética to melodiosa
os anéis nos dedos de calíope
to beatífica como o esfíncter anal do mundo contraído

to tão demoníaca
que se não houvessem esses escrúpulos todos
e esses fogos e esse cintilar artificial e o rosário na mão de mamãe
convidaria vocês pra se masturbarem junto comigo

Luana Muniz, mais na página pessoal da autora no Facebook.